Ilustres amigos do botão

Visitantes, em Sabará - MG

Banda "apadrinhada" pelo Vanguart, companheira de tardes de futebol de mesa, Visitantes lança disco; baixe e leia sobre


Você gosta de Vanguart? Então vamos dizer que o Visitantes, de certa forma uma reação histórica natural - e harmoniosa - à existência da banda mato-grossense, pode te interessar. Talvez por lembrar Vanguart em termos, talvez por injetar facetas melódicas e estilísticas um passinho à frente, ou à esquerda (ou à direita mesmo), da segura circunferência desenhada por Hélio Flanders e cia. em seu jovem-folk-rock. Sem deixarem também de vestir com orgulho a camisa do tradiça e protocolarmente embriagado rock'n roll, os Visitantes colocaram um disco inteiro para download, Na brasa fugaz da cana queimando, que você pode encontrar no perfil: dica, a ótima canção "De Los Cabriones". Mas quem são os Visitantes? E o álbum, como nasceu? E como eles enxergam esse disco? E a ligação com o Vanguart, até onde vai? - Flanders redigiu o release do álbum, por exemplo, e há uma história boa sobre o antiquado sistema hidráulico de São Paulo envolvendo os dois "times" (sim, jogavam botão). A banda mesmo conta.

Visitantes se apresentam

"Somos uma banda de São Paulo/SP de rock tropical. Temos grande inspiração em Mutantes, com um toque de alternativo 80/90s (Pixies, Nirvana, Supergrass, Cat Power etc.). Estreamos o álbum em Sabará/MG pelo Festival Escambo (julho) e estamos agendando datas pelo Brasil. É massa o momento pra este lançamento, é uma época que a música independente no Brasil ferve. Vemos o disco como um bom souvenir para o show, e abre mais espaço pra mostrar várias facetas do artista. Acho que um bom artista só se propaga hoje na constante metamorfose que é o frenesi contemporâneo da era twitter (*não apenas nos shows, interpretado pela edição)."

Cana reciclável

"Na brasa fugaz da cana queimando é o primeiro trabalho dos Visitantes, gravado em abril de 2009. A arte do disco foi toda feita pela própria banda, com ajuda de nosso amigo/artista plástico/cenógrafo Marcelo Maffei. Apostamos no formato do CD-r com um adicional - a embalagem inusitada, uma lata metálica redonda, que pode ser reutilizada pra outros fins ao contrário do acrílico comum. Acho que a principal experiência que passamos por essas gravações foi a lição de ter calma, e ralar nas músicas até ficar do jeito definitivo que queríamos. É a única fase que realmente não adianta ter pressa, porque gravar é pra sempre."

E como se faz um bom álcool?

"O rock é um ótimo reagente, responde aos mais diversos estímulos. Tem milhares de coisas que, se ninguém fez antes, não tem porque não fazer, tipo tocar um acorde de bossa nova que nem Ramones ou fazer jazz com três notas, tudo cabe no formato e os sons estão pulsando pelo Brasil inteiro- o que importa não é mais a voz de uma minoria que se diz "boa", mas a massa musical de todos os rincões que se complementam. As possibilidades de baixo, guitarras e bateria são infinitas, e pra nós é sempre divertido absorver e devolver. Nós quatro já fazíamos isso com a nossa antiga banda Wasted Nation, mas quando partimos pra ser os Visitantes rolou uma abertura de fronteiras, um conforto a mais pra explorar. Se você quiser, posso elencar as marcas dos instrumentos que a gente usou e uma estimativa de horas de estúdio ensaiadas, mas também não adianta, cada banda tem seu meio de processar as coisas. No mais, disco bom é digestível, disco ruim não é digestível. Rocknroll man!"

Vanguart

"Quando Vanguart veio pra SP no fim de 2006, demos uma ajuda pros caras e marcamos alguns shows pelo coletivo Escárnio e Osso, do qual fazemos parte. Enfim, acabamos ficando bróders dos Vanguarts, jogamos muito botão e nos trombamos pelo Brasil afora em festivais, e tal. Ano passado, Douglas, baterista do Vanguart, estava produzindo a Visitantes no meu estúdio, o Estúdio FC, até um cano da SABESP inundar tudo com milhares de litros de água e a gente ter que ir à caça de outro Estúdio. Acabamos encontrando o Jander e o Estúdio Ferradura que receberam a gente de braços abertos.

Mas enfim, o Helinho nos acompanha desde que éramos a Wasted Nation, viu uns três ou quatro shows nossos e acompanhou a evolução das canciones, ele me ensinou inclusive a curtir mais a afinação em ré-aberto que eu acabei usando na múica "Homem-Moto". Temos umas sessões secretas que conseguimos salvar da SABESP, um dia quem sabe "vazamos" elas na net, com o perdão do trocadilho."


Via: Trama Virtual

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